sexta-feira, 13 de abril de 2012

Demóstenes se diz inocente e comunica que se defenderá



Acusado de ligação com o empresário Carlinhos Cachoeira, preso pela operação Monte Carlo da Polícia Federal, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) compareceu à reunião do Conselho de Ética do Senado, na manhã desta quinta-feira (12), quando afirmou ser inocente e adiantou que irá se defender por escrito e oralmente perante o colegiado.
– Quero provar a minha inocência no mérito. E o foro competente é este Conselho de Ética. Provarei que sou inocente. Primeiramente apresentarei uma defesa por escrito e depois virei aqui responder os questionamentos, conforme o Regimento desta Casa – afirmou Demóstenes. Ele disse que apresentará sua defesa no prazo concedido pelos integrantes do conselho.
O Conselho de Ética se reuniu nesta quinta-feira para escolher o relator do processo disciplinar, aberto a pedido do PSOL, para investigar se houve quebra de decoro parlamentar por parte de Demóstenes diante de indícios apontados por conversas telefônicas entre o parlamentar e o contraventor Carlos Cachoeira, reveladas a partir de escutas realizadas pela Polícia Federal. O senador Humberto Costa (PT-PE) aceitou a relatoria do caso, depois que outros cinco senadores, também sorteados, declinaram da tarefa.

Presidência

Demóstenes questionou, no entanto, a forma como o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) foi escolhido inicialmente para presidir o Conselho de Ética. De acordo com Demóstenes, o senador mais idoso pode substituir o presidente e o vice-presidente do Conselho de Ética em caso de ausência de ambos, mas não quando houver vacância do cargo de presidente.
Essa seria, em seu entendimento, a situação em que se encontrava o Conselho de Ética, já que o presidente anterior, senador João Alberto (PMDB-MA), licenciou-se do mandato para assumir cargo no governo do Maranhão.
– Ainda que [Antonio Carlos Valadares] seja de fato escolhido presidente, gostaria que tal escolha se desse com o estrito cumprimento do Regimento Interno do Senado – afirmou Demóstenes.
Apesar do questionamento no âmbito regimental, o senador afirmou que não tinha intenção de ficar discutindo questões processuais, pois estaria mais interessado na defesa de mérito. Depois disso, pediu licença e retirou-se da sala, deixando a reunião do conselho rapidamente sem falar com a imprensa.

Consenso

Antonio Carlos Valadares e os demais senadores presentes à reunião foram unânimes na defesa da legitimidade da escolha do presidente e da admissibilidade da representação do PSOL contra Demóstenes.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse que os dispositivos processuais que serviram de base para o questionamento de Demóstenes Torres já teriam sido alterados por uma outra Resolução do Senado.
Apesar do consenso entre os senadores presentes à reunião quanto à inexistência de qualquer irregularidade, eles decidiram realizar uma eleição para a presidência do Conselho de Ética, sendo Antonio Carlos Valadares eleito para o cargo.

Defesa

O prazo de dez dias úteis para Demóstenes Torres apresentar defesa prévia encerra-se em 25 de abril. Depois disso, o relator apresentará um relatório preliminar a ser avaliado pelo Conselho de Ética. Se o colegiado deliberar pela perda do mandato, o parecer será enviado à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Em seguida, vai à Mesa Diretora para a inclusão na Ordem do Dia do Plenário, que é a instância máxima de decisão do Senado.

Agência Senado - 12/4/2012

Demóstenes é notificado a apresentar defesa

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) foi notificado pessoalmente, na manhã desta quarta-feira (11) a apresentar, em dez dias úteis, sua defesa no processo movido pelo PSOL sob a acusação de quebra de decoro parlamentar. A representação se ampara nas suspeitas de que o parlamentar tem ligações com o empresário Carlos Cachoeira, preso em Mossoró (RN) sob a acusação de exploração de jogos ilegais.
A secretária-geral da Mesa, Claudia Lyra, levou a notificação ao gabinete de Demóstenes Torres, situado na ala Afonso Arinos. A partir desta quarta, começa a contagem do prazo para a defesa do parlamentar, que termina no dia 25 de abril. O documento foi assinado pelo senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), que assumiu na terça-feira (10) a presidência do Conselho de Ética.
O regimento, estabelece que nesses casos a defesa pode ser apresentada por escrito ou sustentada de forma oral no plenário do conselho. O advogado do acusado pode estar presente à sustentação oral.
Nesta quinta-feira (12), às 10h, o Conselho volta a reunir-se, a fim de escolher um senador para relatar o processo movido contra Demóstenes. Só depois de a ação ser votada no Conselho de Ética, seguirá para deliberação em plenário.

Agência Senado - 11/4/2012

Antonio Carlos Valadares acata representação contra Demóstenes Torres



Na presidência interina do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que se reuniu nesta terça-feira (10), o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) acatou a representação do PSOL contra o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). O presidente determinou a notificação do representado, com o prazo de 10 dias para apresentar sua defesa prévia.
Devido a uma dúvida regimental, Valadares decidiu adiar a definição do relator do processo, por sorteio, para nova reunião marcada para as 10h de quinta-feira (12).
Demóstenes é acusado de associação criminosa com o empresário de jogos ilegais Carlos Cachoeira. A representação para que seja investigado pelo Conselho de Ética foi apresentado pelo PSOL. Líderes partidários também discutem a possibilidade de criação de uma CPI para apurar as relações de parlamentares com Cachoeira.

Agência Senado - 10/4/2012

Clima de cobrança no Senado

A situação começa a ficar constragedora para o senador Demóstenes. Seus colegas fazem discursos de cobrança no Plenário, o PSOL apresenta um processo no Conselho de Ética - que é acatado pelo presidente interino, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).

quinta-feira, 12 de abril de 2012

‘Demóstenes é caso de bipersonalidade’, diz Pedro Simon



Em pronunciamento nesta segunda-feira (9), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) classificou o colega Demóstenes Torres (sem partido-GO) como um caso de dupla personalidade. Demóstenes é investigado por suspeita de usar o mandato em favor do empresário Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal em Goiás. Para Simon, a conduta pública de Demóstenes se opõe à sugerida pelas denúncias.
– Deve ser um caso típico de bipersonalidade porque conviviam ali dois cidadãos: o que eu conheci, a quem dou nota dez na competência, na capacidade e na dignidade, e o que está aparecendo agora, que é exatamente o contrário do que a gente poderia imaginar.  Não sei como os dois conviviam, como um podia conversar com o outro – comentou Simon.
O senador lembrou que Demóstenes, ao longo de todo o tempo em que atuou no Senado, sempre demonstrou atitude séria e responsável, tendo relatado proposições como o projeto que resultou na Lei da Ficha Limpa. Simon também destacou a atuação de Demóstenes como crítico dos colegas em episódios passados.
Embora tenha ressaltado a importância de se garantir o direito de defesa a Demóstenes, Simon disse acreditar que as investigações não terminarão sem resultados, como apostam setores da sociedade e dos meios de comunicação. Para ele, a pressão popular fará com que o Conselho de Ética do Senado investigue as denúncias.
– Não confio nem no Congresso, nem no Judiciário e nem no Legislativo.
Eu confio é no povo, na manifestação do povo, na ação do povo.
Hoje isso está acontecendo – afirmou Simon.
O senador disse considerar que Demóstenes Torres deveria renunciar ao mandato, não para escapar da cassação, mas para preservar a si e a sua família.
Em aparte, o senador Pedro Taques (PDT-MT) defendeu a criação de uma CPI mista para investigar as denúncias, que também envolvem deputados federais. Para Taques, a criação de uma CPI é a única maneira de garantir o acesso dos senadores aos documentos da investigação, que corre sob segredo de justiça. O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro, informou que deve começar a colher assinaturas para a CPI nesta terça-feira (10).

Agência Senado - 9/4/2012

Walter Pinheiro propõe CPI para investigar relação de Demóstenes com Cachoeira



O líder do PT no Senado, senador Walter Pinheiro (BA), anunciou nesta segunda-feira (9) que a bancada do partido vai começar a coleta de assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as relações do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira.
Em seu site oficial, o senador argumenta que a criação de uma CPI é uma saída para apurar melhor os fatos, diante da negativa do Supremo Tribunal Federal (STF) em disponibilizar ao Conselho de Ética e à Corregedoria do Senado acesso aos autos do inquérito que investiga Demóstenes.
– Vamos instalar uma CPI, que é constitucionalmente a instância apta a receber essas informações que tramitam em segredo de Justiça – afirmou.
Walter Pinheiro disse que a abertura de uma CPI é consenso entre os 13 senadores do PT. Segundo ele, o trabalho do Senado não deve se limitar ao caso Demóstenes, devendo apurar de maneira mais ampla como operava a “rede de espionagem e chantagens” montada por Carlinhos Cachoeira.
– O Senado tem de esclarecer esses fatos, até porque é de interesse da instituição livrar-se da pecha de que é corporativista e seletiva em suas investigações - disse.

Agência Senado - 9/4/2012

Demóstenes Torres deixa o Democratas



O senador Demóstenes Torres (GO) enviou carta ao presidente e líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), comunicando sua desfiliação da legenda. Ele optou por não enfrentar o desgaste de um processo de expulsão do Democratas, já que está sendo investigado por suposta ligação criminosa com Carlos Augusto Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso sob acusação de explorar o jogo ilegal em Goiás.
A carta foi entregue por dois assessores, pouco depois do meio-dia desta terça-feira (3), no gabinete de José Agripino. O líder partidário estava reunido com integrantes do Democratas exatamente para abrir o processo da expulsão de Demóstenes Torres. O partido fica agora com quatro senadores.
Em um dos trechos da carta, Demóstenes diz: “Embora discordando frontalmente da afirmação de que tenha me desviado reiteradamente do programa partidário, mas diante do prejulgamento público que o partido fez, comunico minha desfiliação do Democratas.”
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) perdeu a confiança de seu partido ao deixar de apresentar explicações exigidas pela cúpula do DEM quanto às denúncias de envolvimento com Cachoeira. Ele havia sido convocado para uma reunião na noite de segunda-feira (2) com a cúpula do DEM, mas não compareceu. O Democratas então comunicou-o oficialmente da instauração de processo ético disciplinar com vistas à sua expulsão.
O DEM esperava esclarecimentos de Demóstenes em relação a um relatório da Polícia Federal contendo registros de centenas de telefonemas comprometedores entre o senador e Cachoeira. Fartamente noticiado pela imprensa, o conteúdo do relatório originou inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). Há ligação em que Demóstenes pede o pagamento de despesas pessoais e outras em que recebe instruções de Cachoeira sobre como agir em relação a projetos de lei e ações judiciais.
Em carta enviada ao senador goiano, Agripino afirma que há “destacados indícios” do envolvimento de Demostenes com Cachoeira, preso pela Polícia Federal por ocasião da Operação Monte Carlo, destinada justamente a investigar um esquema que operava com jogo do bicho e máquinas caça-níqueis, por exemplo. Para o DEM, o resultado dessas apurações revelou “estreita relação” entre Demóstenes e o “citado contraventor”.
- O Senado está em xeque, a classe política como um todo também está. Mas quem mais está em xeque é a conduta partidária do Democratas, que não convive com a perda do padrão ético. Por essa razão é que nós estamos oficiando ao senador Demóstenes Torres que, por desvio reiterado de conduta partidária, nós estamos abrindo um processo de expulsão – afirmou Agripino.
A direção do partido chegou a informar que o processo deveria ser aberto mediante uma provocação do DEM Jovem, presidido por Henrique Sartore. Ele assinaria uma representação pedindo à executiva partidária que expulsasse Demóstenes. A carta de Demóstenes chegou quando Agripino estava reunido com integrantes do partido em seu gabinete, preparando-se para anunciar quem seria o relator do processo. Ao chegar para a reunião, o líder do Democratas na Câmara, ACM Neto (BA), afirmou:
- Vamos nos reunir agora para, exatamente, fechar em torno do nome que vai ser escolhido para relatar o processo na executiva nacional do partido.

Agência Senado - 3/4/2012

PSOL representa contra Demóstenes ao Conselho de Ética do Senado



O PSOL protocolou na tarde desta quarta-feira (28) representação ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado para verificar a quebra de decoro parlamentar por parte do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). No documento, o presidente do partido, deputado Ivan Valente (SP), argumenta que Demóstenes quebrou o decoro parlamentar ao receber vantagens de uma quadrilha que explora o jogo ilegal,  como presentes de alto valor, pagamento de taxi aéreo e doação para sua campanha no valor de 30% do faturamento de um esquema montado pelo bicheiro Carlos Cachoeira.
A entrega da representação à Secretaria-Geral da Mesa do Senado foi acompanhada pelo senador Randolfe Rodrigues (AP).

Agência Senado - 28/3/2012

Demóstenes diz em ofício a Sarney que se manifestará na tribuna após ter acesso aos autos

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) encaminhou nesta terça-feira (27)  ao presidente do Senado, José Sarney, ofício no qual declara que se manifestará na tribuna do Plenário sobre as denúncias de envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, como cobraram vários parlamentares, após ter acesso aos autos, em poder do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Também nesta terça, Roberto Gurgel solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de inquérito para investigar as denúncias contra o senador, após receber os parlamentares que integram a Frente de Combate à Corrupção.
No mesmo documento enviado a Sarney, Demóstenes informa seu afastamento da liderança do DEM no Senado para “acompanhar a evolução dos fatos e versões noticiados nos últimos dias”. E reafirma exigir profunda e meticulosa investigação, pelo foro adequado, caso haja alguma suspeita sobre o seu procedimento.
Leia a íntegra do ofício:

Senhor Presidente,


Como Vossa Excelência tem acompanhado, sofro nas últimas semanas toda sorte de ataques à minha honra, sem que sejam observadas as garantias constitucionais previstas em qualquer Estado Democrático de Direito.
Meu desejo é ocupar a Tribuna do Senado tão logo tenha acesso ao conteúdo dos autos que, segundo afirmam, estão em poder do Procurador Geral da República. Não me escusarei de responder a qualquer questionamento que, por ventura, seja feito pelos senhores senadores e senhoras senadoras.
Reafirmo o que disse no Plenário: se existe alguma suspeita sobre o meu procedimento, exijo profunda e meticulosa investigação no foro constitucionalmente adequado, qual seja, o Supremo Tribunal Federal.
Aproveito a oportunidade para comunicar a Vossa Excelência que, para acompanhar a evolução dos fatos e versões noticiadas nos últimos dias, me afastei hoje da liderança do Senado.


Atenciosamente


Senador Demóstenes Torres

Agência Senado - 27/3/2012

Demóstenes deixa liderança do DEM

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pediu afastamento da liderança do Democratas no Senado Federal.  A comunicação foi encaminhada ao presidente do partido, senador José Agripino Maia (RN) nesta terça-feira (27). No documento, Demóstenes alega que se afasta da liderança para acompanhar a evolução dos “fatos noticiados nos últimos dias”.
A revista Carta Capital do último fim de semana publicou o que afirma ser o teor de um relatório da Polícia Federal, no qual Demóstenes é acusado de receber recursos do esquema de exploração de jogos ilegais de Carlos Cachoeira, que está preso. Matéria do jornal O Globo fala de um pedido de dinheiro feito pelo senador goiano ao contraventor. Semanas atrás, Demóstenes havia sido acusado de receber presentes e de trocar cerca de 300 telefonemas com Cachoeira, conforme informações da Polícia Federal.
A situação de Demóstenes deve ser abordada durante reunião de líderes na tarde desta terça-feira.

Agência Senado - 27/3/2012

Senadores pedem a Demóstenes que esclareça novas denúncias de envolvimento com Cachoeira

Em discursos e apartes durante a sessão desta segunda-feira (26), os senadores Jorge Viana (PT-AC), Pedro Taques (PDT-MT) e Ana Amélia (PP-RS) pediram esclarecimentos do colega Demóstenes Torres (DEM-GO) sobre as novas denúncias publicadas pela imprensa que apontam envolvimento dele com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal.
- A situação tem se agravado fortemente. É lamentável, porque o senador Demóstenes é uma pessoa que conquistou o respeito de uma parcela muito grande do nosso país, por sua atuação parlamentar, pela maneira contundente como se posiciona nesta Casa e na sua vida pública. Mas agora ele está sendo questionado – disse Jorge Viana.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) também abordou o caso em Plenário, afirmando que investigações já estão em curso, e que Demóstenes não pode ser condenado sem provas. Mas concordou que todas as denúncias necessitam de investigação.
A revista Carta Capital do último fim de semana acusou Demóstenes de receber recursos do esquema de exploração de jogos ilegais de Cachoeira. O jornal O Globo acusa o senador de pedir dinheiro ao contraventor. Semanas atrás, Demóstenes foi acusado de receber presentes e de trocar cerca de 300 telefones com Cachoeira, conforme informações da Polícia Federal.
Pedro Taques afirmou que “o caso é grave” e que Demóstenes precisa prestar mais esclarecimentos ao Senado e à sociedade.
- Este caso do senador Demóstenes – e eu disse isso a ele com o respeito do conhecimento que tenho do seu trabalho há mais de 16 anos – é grave e merece esclarecimento – disse Taques.
Ana Amélia também cobrou explicações de Demóstenes e pediu investigações sobre os esquemas comandados por Cachoeira. Jorge Viana fez coro aos pedidos de mais informações. Taques e Alvaro Dias concordaram que Demóstenes merece respeito de seus pares e não pode ser prejulgado.
- Mas a prudência recomenda que aguardemos a conclusão do inquérito para qualquer manifestação posterior – acrescentou Alvaro.
Jorge Viana disse que toda denúncia precisa ser encarada com cautela. Segundo o senador pelo Acre, vários integrantes do PT já sofreram no passado por serem “condenados antecipadamente apenas com informações baseadas em denúncias da imprensa, antes das investigações oficiais serem concluídas”.
Na Câmara dos Deputados, o deputado federal Delegado Protógenes (PCdoB-SP) apresentou requerimento pedindo a criação da CPI dos Caça-Níqueis. A Mesa Diretora da Câmara analisará a proposta, cujo objetivo é criar uma comissão para investigar as denúncias de envolvimento de parlamentares com Cachoeira.
Na semana passada, o líder do bloco de apoio ao governo, senador Walter Pinheiro (PT-BA), apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedido de informações a respeito de parlamentares que possam estar envolvidos com o empresário do ramo de jogos.
Também na semana passada Taques e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) apresentaram requerimento para que o presidente do Senado, José Sarney, solicite ao Procurador-Geral da República informações a respeito da Operação Monte Carlo e do suposto envolvimento de parlamentares.
Em pronunciamento no início do mês, Demóstenes negou ter cometido qualquer irregularidade em suas relações com Cachoeira. O senador disse que não é investigado pela prática de nenhum ilícito e exigiu uma investigação sobre si mesmo. Em apartes, 44 senadores prestaram solidariedade a Demóstenes.
- Daqui da tribuna deste Plenário, posicionei-me dando um voto de confiança ao senador Demóstenes e venho solicitar que ele volte à tribuna em respeito não à minha pessoa, mas em respeito aos brasileiros que o admiram, em respeito à opinião pública nacional e em respeito a este plenário. Que ele possa, o quanto antes, voltar à tribuna e posicionar-se sobre os novos fatos – acrescentou Jorge Viana.
Na sexta-feira (23), em sua conta no Twitter, Demóstenes afirmou que os informantes da revista Carta Capital “estão enganados”: “De todos os absurdos publicados contra mim, os mais danosos estão no site da Carta Capital”, escreveu. No mesmo dia, Demóstenes declarou não integrar nem compactuar “com qualquer esquema ilícito” ou organização ilegal.

Agência Senado - 26/3/2012

Pedro Taques diz que caso de Demóstenes é grave e pede explicações ao senador



O senador Pedro Taques (PDT-MT) afirmou que o caso do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) “é grave” e que o Senado Federal não pode se omitir em relação às denúncias publicadas nos últimos dias contra o colega, acusado de ter ligações com o bicheiro Carlos Cachoeira, de Goiás.
- Nós não podemos tapar o sol com a peneira. Esta casa da Federação não terá moral para notificar, para convidar, para intimar qualquer cidadão a depor em suas comissões, se nós não ouvirmos os esclarecimentos do senador Demóstenes – declarou.
Pedro Taques afirmou ter dito a Demóstenes Torres que o caso que o envolve é grave e merece esclarecimento.
- Não se apresenta como razoável que um senador da República possa trocar este número de telefonemas com cidadãos voltados para a prática do crime. Não se afigura como razoável que um senador da República possa se utilizar de telefones habilitados em Miami. Não se afigura que um senador possa se valer de expediente outros para conversar com cidadãos voltados à prática do crime – afirmou o parlamentar, da tribuna, nesta segunda-feira (26).
Assim como Demóstenes Torres, Pedro Taques é ex-integrante do Ministério Público. Mas, enquanto Pedro Taques pertenceu ao Ministério Público Federal, Demóstenes foi do Ministério Público de Goiás, já tendo sido Procurador-Geral do Estado e Secretário de Segurança de Goiás.
- Temos de separar o campo jurídico do campo político. No espaço jurídico existe o princípio da presunção da inocência, contraposto ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Mas, no espaço político, nós temos de agir politicamente, como agiríamos com qualquer outro cidadão. O Senado Federal não pode, neste momento grave, se omitir. Porque, senão, não teremos moral para intimar qualquer cidadão que por acaso, num programa de domingo, apareça envolvido em escândalos – afirmou, citando também o ministro das cidades, Aguinaldo Ribeiro, acusado, em reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo no último domingo, de cometer irregularidades quando era secretário de Ciência e Tecnologia de João Pessoa.
Pedro Taques afirmou que toda a nação brasileira está aguardando uma resposta do Senado Federal. Ele perguntou até quando o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, irá protelar a instauração de inquérito judicial em desfavor do senador Demóstenes Torres.
- Nós não podemos aguardar. Eu, como senador em primeiro mandato, vou tomar minhas providências. Convido os senadores a tomar responsabilidade de suas ações – afirmou o parlamentar.

Agência Senado - 26/3/2012

Novas denúncias mudam posição dos senadores

Novas denúncias na imprensa mudam o posicionamento dos senadores. Os que antes ofereciam apoio ao senador Demóstes agora cobram explicações.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Em apartes, 44 senadores prestaram solidariedade a Demóstenes Torres

Após o discurso em que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) explicou sua relação com o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e negou qualquer envolvimento em negócios ilegais, 44 senadores de vários partidos e posições políticas distintas o apartearam, solidarizando-se, expressando a confiança no parlamentar e elogiando sua atuação como senador. Ele ocupou a tribuna nesta terça-feira (6) e negou qualquer irregularidade na relação com Cachoeira, lembrando não ter sido acusado de qualquer ilícito.
O senador também pediu investigações sobre si mesmo. No último fim de semana a imprensa revelou que senador e o empresário, preso na operação Monte Castelo, da Polícia Federal, conversaram constantemente no ano passado.
A senadora Marta Suplicy (PT-SP) classificou Demóstenes como o maior e mais brilhante opositor na Casa, e mesmo sendo difícil de lidar às vezes, é atuante e prestigiado pela competência, firmeza e clareza de posições.
- A atitude de ter vindo se colocar [em Plenário] levou toda a Casa a ter uma postura uníssona, de situação e oposição, o que é muito raro. Deve ter sido agradável perceber o respeito que seus companheiros têm e a sua presunção de inocência, o gesto que todos lhe fizeram – disse Marta Suplicy.
Muitos parlamentares salientaram o histórico de credibilidade e a trajetória de luta de Demóstenes Torres, como Waldemir Moka (PMDB-MS), Alfredo Nascimento (PR-AM), Romero Jucá (PMDB-RR) e Lobão Filho (PMDB-MA). A competência, os conhecimentos jurídicos e o comportamento aguerrido no Senado foram mencionados por Pedro Simon (PMDB-RS) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Outros elogiaram sua coragem por reconhecer as relações com Carlos Cachoeira e por pedir para ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que configura a confiança em sua conduta ilibada e o comportamento a ser adotado por todas as pessoas públicas. Compartilharam dessa opinião os senadores Vital do Rêgo (PMDB-PB), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA).
O senador Pedro Taques (PDT-MT) afirmou conhecê-lo desde a década de 90, quando, como membros do Ministério Público, defenderam seus estados e foram forjados na “luta contra a criminalidade”.  Vicentinho Alves (PR-TO) e Cyro Miranda (PSDB-GO) também destacaram seus laços de amizade com Demóstenes, e a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), integrante da bancada goiana, expressou sua solidariedade.
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) citou a envergadura moral de Demóstenes Torres e salientou que, mesmo com a denúncia publicada, não houve por parte de Demóstenes qualquer iniciativa de diminuir a importância do papel da imprensa no acompanhamento, na fiscalização, na investigação da vida dos homens públicos. Ele afirmou que apresentará proposta de emenda à Constituição (PEC) para por fim ao foro privilegiado, “para que não paire dúvidas sobre honras”.
Já Ana Amélia (PP-RS) questionou a quem interessaria atingir a conduta de Demóstenes Torres, sua firmeza e seu compromisso com a legalidade, com a responsabilidade e com o trabalho comprometido com a ética na política.
- A quem interessa calar a voz mais dura, mais contundente, às vezes até ferina, às denúncias das mazelas da corrupção em nosso país? A quem interessa? – indagou.
Também apartearam Demóstenes Torres os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), Eduardo Braga (PMDB-AM), Cristovam Buarque (PDT-DF), Alvaro Dias (PSDB-PR), Blairo Maggi (PR-MT), Aécio Neves (PSDB-MG), Roberto Requião (PMDB-PR), Mário Couto (PSDB-PA), Eunício Oliveira (PMDB-CE), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), João Ribeiro (PR-TO), Benedito de Lira (PP-AL), Casildo Maldaner (PMDB-SC), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Francisco Dornelles (PP-RJ), Paulo Paim (PT-RS), Aloysio Nunes (PSDB-SP), Jorge Viana (PT-AC), Kátia Abreu (PSD-TO), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Armando Monteiro (PTB-PE), Antônio Russo (PR-MS), José Agripino (DEM-RN), Ivo Cassol (PP-RO), Jayme Campos (DEM-MT) e Inácio Arruda (PCdoB-CE), que se solidarizaram em nome de seus partidos.

Agência Senado - 6/3/2012

Demóstenes Torres nega irregularidade em relação com Carlos Cachoeira



O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) negou ter cometido qualquer irregularidade em suas relações com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, conhecido, segundo a imprensa, por explorar caça-níqueis. O senador informou em Plenário, nesta terça-feira (6), que não é investigado pela prática de nenhum ilícito e exigiu investigação sobre si mesmo. No último fim de semana, matérias jornalísticas apontaram amizade entre o senador e Cachoeira, que foi preso na operação Monte Carlo, da Polícia Federal.
De acordo com Demóstenes, suas relações com o acusado são pessoais, de amizade, e não há nada que prove qualquer atitude ilegal nas ligações telefônicas trocadas entre eles, que foram vazadas pela imprensa.
- Não existe nem nunca existiu nenhuma apuração que envolva o meu nome. O motivo é óbvio: não existe nada. Tranqüilizo Vossas Excelências. Não sou investigado em nenhum fato, não sou acusado de nada, conforme provam os dados obtidos da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal – disse.
Demóstenes lembrou que compete ao Supremo Tribunal Federal (STF) investigar autoridades, entre eles os parlamentares.
- Portanto, investigação iniciada há mais de um ano, somente agora concluída e enviada para a Justiça Federal de primeiro grau não pode ter nome de senador investigado. E, se tivesse, a operação estaria eivada de vício, seria declarada nula e jogada por terra. Ora, a questão está judicializada, inclusive com prisões preventivas decretadas. Assim, não há a menor possibilidade jurídica do meu envolvimento, ou o de qualquer outro parlamentar, no assunto – argumentou.
Segundo o senador, o fruto das apurações da Operação Monte Carlo, que desarticulou quadrilha que explorava máquinas de caça-níquel em quatro estados e no Distrito Federal, deveria ter guardado discrição, ainda mais em relação a alguém que não é investigado nem acusado. Demóstenes ressaltou que a investigação já está encerrada e não se chegou a seu nome, já que não há nada que o incrimine e ele não era alvo.
- Mas agora eu é que exijo ser investigado na forma legal pelo foro adequado, o previsto na Constituição da República: o Supremo Tribunal Federal. Minha vida sempre foi um livro aberto, e continuará sendo – declarou.
O senador foi aparteado por 44 senadores, todos ressaltando a confiança no parlamentar, sua competência jurídica e seu bom trabalho na oposição ao atual governo.

Amizade


Demóstenes Torres afirmou ter relação de amizade com Carlos Augusto Ramos, empresário, que atuou legalmente em algumas modalidades de jogos e frequentava a alta sociedade goiana. As ligações telefônicas monitoradas na operação para investigar Cachoeira, disse o senador, são de conversas triviais e tiveram sua frequência ampliada durante o período em que o parlamentar e sua mulher envolveram-se numa questão pessoal da amiga dela, casada com o acusado.
- O contato pessoal, ainda que frequente, não significa participação em seus afazeres ocultos, muito menos aprová-los quando eles vierem à luz. Nesta Casa, sempre me opus ao jogo, votando contra todas as iniciativas de legalizá-lo. Portanto, atuei às claras no combate às causas costumeiramente tratadas nos subterrâneos – disse o senador.
Demóstenes também confirmou ter recebido de Carlos Cachoeira um conjunto de fogão e geladeira como presente de casamento, ocorrido em 2011. Mas disse nunca ter perguntado o valor do presente – até por uma questão de educação.

Agência Senado - 6/3/2012

O caso Demóstenes

Este blog reúne as matérias produzidas pela Agência Senado sobre o escândalo envolvendo o senador Demóstenes Torres. A intenção é facilitar a pesquisa, permitir a recuperação de matérias e congregar as notícias sobre o caso em questão.
No primeiro fim de semana de março, várias matérias jornalísticas apontavam a relação entre o senador goiano e o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. O senador teria recebido presentes de Cachoeira, com trocou mais de 300 telefonemas. Entre os presentes, estava um aparelho telefônico para ser usado nos Estados Unidos. O empresário, ligado a jogos ilegais, foi preso pela Política Federal, dentro da Operação Monte Carlo.
O blog faz um histórico, desde a primeira defesa de Demóstenes até a tentativa de instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso.